SÃO PAULO - Em meio ao embate entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, o possível presidenciável tucano, governador José Serra, calou-se. Questionado hoje sobre o artigo de FHC publicado no jornal O Estado de S. Paulo - e as reações acaloradas que o texto provocou entre petistas -, Serra manteve o silêncio, sua estratégia desde que passou a ser cotado a candidato à Presidência. Virou as costas para os repórteres e encerrou a entrevista coletiva. "Eu não vou falar sobre isso", acrescentou pouco depois, diante da insistência dos jornalistas, enquanto visitava a recém-inaugurada Biblioteca de São Paulo, no Carandiru, zona norte da capital paulista.Restou ao próprio Fernando Henrique seguir no papel de porta-voz do discurso tucano. O ex-presidente, que não participava de eventos do governo do Estado há cinco meses, foi à inauguração da biblioteca estadual e deu o recado. "Precisamos de gente competente, que não roube e que inspire confiança. Ela (Dilma) não é líder. É reflexo de um líder. Serra, está provado, tem competência, é um líder e inspira confiança. A outra, para mim, ainda não", disse antes da cerimônia. "Se (o PT) quiser comparar, a gente compara, desde que seja no contexto. Não há o que temer." O ex-presidente apoiou até o silêncio de Serra. "O PSDB é que tem de se posicionar. O governador tem de esperar um pouco."A aparição de Fernando Henrique ocorre uma semana depois de uma pesquisa de intenção de voto ter mostrado crescimento de Dilma. De acordo com levantamento da CNT/Sensus, a diferença entre Serra e a petista caiu de 10,1 pontos porcentuais em novembro para 5,4 pontos em janeiro. Os petistas prometem, para atingir Serra, criticar o governo FHC (1995-2002) durante a campanha eleitoral deste ano. Mesmo assim, o ex-presidente havia se mantido calado até agora.Fernando Henrique negou que sua presença na inauguração de hoje faça parte de uma estratégia política. "Não vou geralmente a inaugurações porque não tenho tempo. Eu vim porque o João Sayad, secretário estadual da Cultura, me mandou um convite amável."Balanço Serra aproveitou a inauguração da Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, onde ficava a Casa de Detenção do Carandiru, para fazer um balanço das ações de sua gestão na área cultural.Em discurso de 22 minutos, Serra falou à plateia de cerca de 400 pessoas sobre museus, espaços de dança, centros culturais e iniciativas como a Virada Cultural, que tomou quando prefeito de São Paulo. "E olha que nem estou mencionando as coisas que fizemos no interior do Estado", gabou-se, após falar 17 minutos sobre os feitos de sua administração.O governador destacou ainda sua relação com os livros, desde a sexta série do ensino fundamental até o doutorado nos Estados Unidos. "Para mim, biblioteca foi algo decisivo, que acompanhou toda a minha formação intelectual e de conhecimento."Sobre a biblioteca recém-inaugurada, o tucano falou por 4 minutos. A construção do espaço custou R$ 12,5 milhões, sendo R$ 2,5 milhões do governo federal. Diante do secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo José Córdula, Serra citou o investimento da União, mas deu destaque aos méritos do Estado. "Vamos manter a biblioteca. São R$ 5 milhões por ano, ou seja, em dois anos é quase o preço da biblioteca, que vai ficar por conta da Secretaria da Cultura."
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